14 de dezembro de 2015

Uma experiência épica!

Sentinela Positrônica e Casa de Um.
Viajei para a Comic Con Experience em São Paulo esse ano com expectativas contidas. Meu pensamento desde o princípio era aproveitar os estandes, ver ofertas, os cosplayers, visitar os amigos da Aleph e me divertir. Eu e minha noiva, a Evelise Couto do blog Casa de Um, resolvemos comprar ingresso apenas pra sexta pensando em evitar as filas dos painéis e ir sem nenhuma esperança de tirar foto com algum conhecido, tampouco pegar autógrafos, apenas conhecer o evento e ver os estandes e as novidades. Fui pensando que, se tivesse alguma sorte, conseguiria o autógrafo do Timothy Zahn da Trilogia Thrawn no estande da Aleph e olhe lá. Antes de partir pra São Paulo fiquei feliz ao saber que na programação da Aleph teria uma banda igual a banda da Cantina Mos Eisley em Tatooine do episódio IV de Star Wars, ao menos poderia acompanhar a banda sem medo de ficar de fora por encarar filas. Todo essa expectativa contida veio dos comentários sobre as filas do evento no ano passado então fui pronto pra me divertir com o que rolasse de bom na sexta, um dia pra conhecer as opções já me bastaria.

Com Timothy Zahn!
Com Chris Taylor!
Qual foi a minha alegria ao conseguir fazer muito mais do que eu imaginava e melhor, sem nenhum estresse além do cansaço de ficar o dia todo andando no espaço. Consegui autógrafos não apenas com Timothy Zahn mas também com Chris Taylor, autor de Como Star Wars conquistou o Universo e com os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, autores de Daytripper que acompanho desde o tempo do 10 pãezinhos! Se tivesse me organizado um pouco melhor ainda era capaz de conseguir autógrafos de outros quadrinhistas famosos da DC e da Marvel que estiveram presentes na sexta mas mesmo assim já me senti muito satisfeito com o que consegui. Tirei foto com todos e ainda consegui por um breve período trocar uma ideia com todos. O Timothy Zahn ficou sabendo que li O Herdeiro do Império na década de 90 aos 10 anos quando o livro saiu pela primeira vez no Brasil, eu fui um dos muitos que viu na obra dele a consolidação do Universo Expandido de Star Wars. Poder dividir sua experiência com um ídolo é algo épico, bem como diz a propaganda do evento! Encarei filas pra autografar os livros mas nada que fosse insuportável, a recompensa valia o esforço!

Mas não foram só autógrafos! Também consegui assistir, ainda que de longe, o painel do Frank Miller. Posso não curtir o trabalho dele hoje em dia mas tenho que dar o braço a torcer quando falamos da lenda que ele virou depois de tantos clássicos das HQs que ele escreveu e desenhou nos anos 80: Ronin, A Queda de Murdock, Cavaleiro das Trevas... É muita coisa e ele merece respeito por isso. O que achei bacana é que os painéis podiam ser acompanhados por todos mesmo longe do palco, os telões mostravam tudo que estava acontecendo e isso ajuda muito na apresentação. Além disso consegui matar a saudade dos tempos de adolescência quando encontrei a galera do Hermes & Renato no estande da Toy Show. Foi sensacional poder conhecer os intérpretes do Joselito, Boça, Hermes e outros tantos personagens que me fizeram rir nos tempos da MTV. E eles continuam me fazendo rir, o novo programa deles no FX mandou muito bem! O mais legal é que nem na hora das fotos eles saíram dos personagens! Outro que conheci foi o Bruno Sutter, o eterno Detonator, que tinha uma barraquinha própria com o CD e DVD à venda. Foi dele a melhor frase do evento: "O Detonator é a melhor banda de Metal da Comic Con! Você viu o Iron Maiden aqui? Não! Então!". Todos foram muito simpáticos com os fãs e deram maior atenção a todos, as filas foram organizadas e nenhuma delas demandava muito tempo de espera.

Com a galera do Hermes & Renato!

Com Fábio Moon!
Os estandes foram muito bem organizados, as action figures, colecionáveis e estátuas estavam dispostas pros fãs poderem tirar fotos, escolher e comprar seus favoritos, tudo muito bacana. As editoras montaram espaços bacanas e trouxeram algumas novidades. A Studio Geek e a Nerdstore marcaram presença com suas camisetas diferentes, a Nerdstore com colecionáveis exclusivos e isso deu uma valorizada nos espaços. A Pizzy Toys trouxe uma série de colecionáveis exclusivos que infelizmente não consegui aproveitar, quase todos os que eu esperava comprar já estavam esgotados quando visitei o estande na esperança de levar ao menos o BB-8 pra casa. O problema ao meu ver com os estandes é que, excetuados Studio Geek, Nerdstore, Aleph e a Pizzy Toys, nenhum dos demais tinha colecionáveis ou produtos exclusivos pra convenção, tampouco preços diferenciados. A maioria dos estandes vendia itens que eu poderia muito bem comprar pela internet pelo mesmo preço e melhor, sem o inconveniente de ter que carregar na mochila ou mesmo na viagem de volta pra Campo Grande. Algumas das lojas eram subsidiárias de outras que vendiam produtos com a mesma marca e, mesmo montando estandes próprios, contavam com produtos que figuravam em vários outros estandes. Cheguei a encontrar uma Enterprise por R$349,90 numa loja e a mesma nave no mesmo modelo por R$550 em outra.

Melhor compra!
Definitivamente a Comic Con não é a melhor opção pra compras, salvo os estandes de exclusivos e os de produtos antigos que vez ou outra trazem algum item colecionável inestimável aos fãs. Eu mesmo considero minha melhor compra da Comic Con um Worf com a tradicional roupa Klingon da Nova Geração de Star Trek da coleção da Playmates, lacrado ainda por cima, se tivesse ido na quinta-feira, teria achado quase todo o resto da coleção disponível! As HQs da Panini, Devir, Comix e outras bookstores também estavam disponíveis mas sem vantagens exclusivas pra convenção. Esperava ter visto novidades sobre os mangás Akira e Ghost in the Shell no estande da JBC mas não tinha nada sobre os lançamentos que pelo visto ficaram pra 2016. Esse ponto é algo que poderia melhorar no próximo ano, mais exclusividades ou mesmo ofertas pros estandes. Se for tudo apenas uma grande mostra de produtos que podemos comprar pelo mesmo preço na internet, perde um pouco da graça pra quem gosta de caçar livros, HQs e colecionáveis em convenções do tipo, principalmente pra quem viaja pra convenção.

O Bat-Sinal de Batman vs Superman!
Os estandes de Batman vs Superman e Capitão América: Guerra Civil traziam os uniformes de ambas as produções, tudo muito bacana mas o mais movimentado mesmo era o de Star Wars: O Despertar da Força. Star Wars aliás estava em tudo na convenção, nos cosplayers, nas camisetas, colecionáveis, até a Editora Aleph se rendeu à comoção que o novo filme vem causando ao montar seu estande nos moldes da cantina de Mos Eisley. Foi muito bacana ver os itens dos filmes em exposição, poder tirar fotos, isso sem mencionar os brindes: ganhei o pôster do Despertar da Força no estande de Star Wars! Kung Fu Panda 3 distribuía miojo em uma barraca temática pra quem quisesse fazer uma boquinha na faixa no meio da convenção! Alvin e os Esquilos tinha um karaokê temático onde os fãs podiam cantar músicas famosas de karaokês com a voz dos esquilos... nada mais mico que isso! E divertido, claro!!

No Speeder da Rey no estande de Star Wars!
Uma sugestão pros estandes de filmes, dos canais como a Warner, Fox ou do Netflix é fazer pontos tipo praças onde as pessoas possam parar pra assistir os trailers e novidades enquanto descansam, no estilo do corredor interativo do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. Se tivessem mais pontos assim distribuídos estrategicamente no espaço da convenção, teria muito mais cadeiras disponíveis na praça de alimentação pra que as pessoas pudessem comer tranquilas, sem ter que ficar caçando lugar pra sentar. Foram vários os momentos da convenção em que eu e minha noiva tivemos que dar uma parada e ir pra praça da alimentação apenas pra descansar. Além de ter que atravessar a multidão pra ir de uma ponta a outra as vezes, acabávamos ocupando lugar de quem eventualmente pudesse querer dar uma pausa pra um lanche. Mas isso é só uma observação de algo que pode melhorar, a praça de alimentação era grande e contava com muitas cadeiras pra quem quisesse sentar, pra lanchar ou apenas descansar. Só acho que estandes como o que sugeri, com lugares pra sentar enquanto acompanhamos trailers e novidades na programação do Netflix, Fox ou Warner, ajudaria muito no fluxo do público, diminuiria a lotação da praça da alimentação e dava um descanso pra galera que precisasse dar uma pausa. O estande da Fox até trouxe algo parecido mas eram poucos lugares pro pessoal parar pra descansar, a ideia era boa mas podia ser melhor executada se fossem mais distribuídos os pontos de descanso.

Bem vindo à Cantina Mos Aleph! Notem
o tanto de pessoas tirando fotos e/ou gravando a banda!
Meu estande favorito da Comic Con foi o Mos Aleph. Sei que sou suspeito pra falar mas o mais bacana do estande da editora era a comoção que eles causavam nos presentes toda vez que a banda começava a tocar. Os cosplayers de Star Wars se aglomeravam no estande e a galera presente acabava parando pra tirar fotos e filmar a banda tocando, sempre provocando a empolgação dos fãs. Nem o próprio estande de Star Wars tinha algo parecido, confira o vídeo abaixo e você vai entender minha empolgação! Eles também organizaram as sessões de autógrafos com Timothy Zahn e Chris Taylor, tudo muito certinho e bem feito. Outro forte ponto positivo foram os brindes exclusivos da Aleph pra Comic Con: pôsteres pra quem comprava R$60 em livros ou camisetas pra quem gastava R$150. Como cliente frequente da editora, aproveitei os 20% de desconto pro evento e garanti o box da Trilogia Thrawn, Como Star Wars conquistou o Universo e ainda vi minha noiva comprar a HQ O Quinto Beatle. Oferecer desconto, dar brindes exclusivos e ter uma atração bacana como a banda, além de apresentar um ambiente totalmente diferenciado, recriando a cantina de Mos Eisley, creditou o estande da Aleph como um dos melhores, se não o melhor, da convenção. Deixo aqui uma menção honrosa e merecida ao estande do Maurício de Souza que além de ter muitas atrações bacanas envolvendo os personagens da Turma da Mônica tinha produtos bacanas, apesar de não terem descontos e não oferecerem nada exclusivo, tudo podia ser encontrado pelo mesmo preço na internet.


A banda em ação!

No Trono de Ferro.
Se soubesse que ia aproveitar tanto o evento, teria comprado o ingresso de quinta e sexta, com certeza teria cansado bem menos e aproveitado mais o tempo nos estandes. Provavelmente teria levado mais action figures raros de Star Trek se tivesse visitado quinta o estande dos colecionáveis antigos... Minha dica é garantir ingresso pra pelo menos 2 dias de evento, eu e minha noiva aproveitamos bastante indo apenas na sexta mas com certeza não teria me arrependido se tivesse comprado pra outros dias. Acredito que os painéis com famosos são bacanas e não são impossíveis de acompanhar, apenas recomendo que o fã tenha paciência nas filas pra conseguir acompanhar os destaques. O lance é estar pronto pra passar horas em filas mas não é nada impossível de se suportar, tudo depende do quanto você quer ver o seu ídolo.

Vejo vocês em 2016!
O evento é épico como diz o anúncio, todos os presentes, famosos ou não, foram muito educados, principalmente os cosplayers que se divertiam com a galera e nunca recusavam uma foto com os fãs dos personagens. Não vou esquecer da gentileza e simpatia dos autores que autografaram meus livros, da galera do Hermes & Renato e do Bruno Sutter que foram muito queridos com os fãs, brincando conosco o tempo todo. dos cosplayers, dos atendentes do estandes e da equipe de apoio da convenção, enfim, de todos os presentes. Recomendo a todos participar nos próximos anos! Vejo vocês lá em 2016!! Será épico!!!









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O Sentinela Positrônica é um Blog Parceiro da Editora Aleph.
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Daniel Rockenbach, um estranho numa terra estranha que decidiu compartilhar suas leituras sobre ficção científica em suas mais diversas manifestações.

Seu instagram é @danielrockenbach.

10 de dezembro de 2015

Bem vindo ao Front Galáctico!

Star Wars está de volta aos cinemas e, como não poderia deixar de ser, em outras frentes como livros, HQs, animações e é claro, ao mundo dos games! Quem acompanha os jogos da saga espacial desde o começo da década de 90 já jogou pérolas como Rebel Assault, Dark Forces, Rebellion, Rogue Squadron, Shadows of the Empire e outros tantos. Um dos jogos que mais se destacou entre tantos clássicos foi Star Wars: Battlefront. A mecânica de jogo era a mesma da série de guerra Battlefield: um jogo multiplayer com vários mapas com 2 times opostos guerreando entre si em vários modos de jogo. Battlefront colocava a Aliança Rebelde contra o terrível Império Galático nas muitas batalhas vistas nos filmes. Battlefront fez tanto sucesso que teve uma sequência e 2 derivados: Elite Squadron e Renegade Squadron, ambos lançados pra portáteis. Gosto muito de todos os jogos da série, em especial os lançados pro PSP já que não tinham apenas o componente multiplayer, tanto Elite como Renegade traziam campanhas solo muito bacanas de se jogar e que se passavam cronologicamente entre as duas trilogias.

Pilote uma X-Wing em Hoth
Estamos em 2015 e o clássico FPS multiplayer volta com uma nova engine, a Frostbite 3 de Battlefield 3 e 4, em um jogo feito exclusivamente pra nova geração de consoles. O novo Star Wars: Battlefront recria as batalhas da Trilogia Clássica de George Lucas com um muito bem vindo extra: a Batalha de Jakku que se passa algum tempo depois da destruição da segunda Estrela da Morte na Batalha de Endor. Os fãs podem esperar um mapa em Tatooine em um cenário com Jawas e a Milenium Falcon estacionada como em Uma Nova Esperança, ou Hoth e a fuga dos Rebeldes do começo de Império Contra-Ataca e, claro, a batalha nas florestas de Endor de Retorno de Jedi.

Jogue com os heróis!
O mínimo que posso dizer é que o jogo é feito pensado quase que exclusivamente nos fãs: você pode controlar Luke, Leia, Han Solo ou Vader, Palpatine e Boba Fett no modo Heróis vs Vilões, você pode pilotar um speeder em Endor ou controlar um AT-ST Imperial nos muitos mapas do jogo, não apenas em Endor ou Hoth! Pilotar a Millennium Falcon? Com certeza! Uma X-Wing? Sim! A-Wing?? Claro! Tie Fighters? Com toda certeza! Existem modos de jogo exclusivos pra naves e até mesmo pros AT-ATs e AT-STs em Hoth. As armas, os alienígenas, as falas e acessórios, tudo está lá pra entreter os fãs e isso já basta pra agradar muita gente.

Pilote um Tie Fighter e alterne entre a visão externa ou interna
da nave!
Ao meu ver o grande problema em Battlefront é ser um jogo exclusivamente multiplayer, sem uma campanha que siga a história dos filmes. Eu ficaria muito contente se o jogo tivesse uma campanha que ao menos deixasse o jogador controlar os heróis (ou vilões) nos trechos do filme em que as batalhas dos mapas se baseiam. Não precisa recriar todas as cenas dos filmes, apenas as batalhas já seriam o bastante. Não seria tão mais complicado pra Dice desenvolver em cima desses mesmos mapas uma campanha simples, sem muitas cutscenes, que apenas colocasse cada jogador nessas batalhas do ponto de vista dos protagonistas. Seria uma forma bacana de situas os novos fãs na trama da Trilogia Clássica e uma boa forma de preparar terreno pros novos filmes.

Em Tatooine!
Claro que o modo multiplayer é divertido e rende muitas horas de diversão. Em pouco mais de um dia jogando, já cheguei no nível 11 e olha que sou péssimo jogando qualquer FPS multiplayer, a diferença é que aqui é Star Wars! Mal cheguei da Comic Con e passei a noite de segunda e terça jogando quase que exclusivamente Battlefront até o lançamento do mapa com a Batalha de Jakku. Não vou entrar em detalhes técnicos aqui mas os gráficos e o som estão lindos, os personagens estão devidamente recriados, bem como os cenários e a trilha sonora do jogo. Joguei Battlefront no Playstation 4 mas testei as versões pra XBOX One e PC e posso assegurar que a qualidade é a praticamente a mesma em todas.

Pilotando um Tie Fighter!
Os tradicionais modos multiplayer estão no jogo: mata-mata, tomada de território, cooperativos, todos voltados aos temas de Star Wars. "Rouba-bandeira" aqui vira Capture o Dróide, por exemplo. Gostei muito de pilotar as naves e veículos no jogo, principalmente as naves. O modo de batalha entre X-Wings/A-Wings vs Tie Fighters me lembrou dos clássicos jogos da série X-Wing vs Tie Fighter onde pilotar essas naves era algo inesquecível aos fãs.


Controlando Vader no tutorial.
Controlar Luke Skywalker ou Darth Vader bem como Han, Leia ou Boba Fett e o Imperador é demais! Luke e Vader tem mecânicas parecidas com o Sabre de Luz e os poderes da Força. Palpatine e Leia tem o poder da liderança o que permite com que eles gerem itens que ajudam os companheiros de time no modo Heróis vs Vilões ou mesmo nos outros modos que eles aparecem. Você pode estar no meio de uma partida do modo Supremacia, morrer e de súbito voltar como um dos heróis ou vilões pra auxiliar seus companheiros de time. Boba Fett é um caso a parte: ele pode voar por um tempo com seu Jet Pack e ainda disparar mísseis nos adversários. Cada personagem tem sua habilidade especial e isso é um diferencial e tanto na hora de jogar com eles.

Como um Imperial na Batalha de Hoth, invadindo a base
Rebelde!
Apesar do alto valor do jogo pro padrão nacional, não tem como não recomendar aos fãs. Os jogos pra nova geração de consoles infelizmente estão cada vez mais caros e isso é uma realidade que atinge a todos nós. Minha dica é jogar no PC já que na Origin o jogo custa menos que a metade do que cobram pelo jogo nas versões pra PS4 e XBOX One. Você não precisa de um PC ultra equipado pra jogar Battlefront, basta ter um mínimo de placa de vídeo e memória pra já conseguir rodar o jogo. Apesar de ser exclusivamente multiplayer, recomendo Battlefront a todos os fãs de Star Wars que curtem a ideia de recriar as batalhas clássicas dos filmes. Você pode jogar Battlefront com um amigo localmente com a tela dividida ou ambos podem entrar online nos muitos mapas do jogo e se divertir online com a tela dividida. Isso por si já garante muita diversão no universo de Star Wars!


---------------------------- Sobre a Batalha de Jakku - Possíveis Spoilers (?) ----------------------------

Apesar de ser uma batalha que nunca (?) será vista nos filmes e sim nos livros e HQs do Universo Expandido, a Batalha de Jakku é pelo visto o último confronto direto entre as forças do Império e a Nova República (assim chamada desde o livro Marcas da Guerra). Acredito que, pelo estilo do mapa do jogo, os Republicanos estão em vantagem na batalha e o Império faz ali sua última tentativa contra a Nova República. Acredito que essa batalha será retratada nos próximos volumes da Trilogia Aftermath de Chuck Wendig que a Editora Aleph vem publicando no Brasil. Não tenho mais a dizer sobre a batalha pelo que vi no mapa, como disse antes, o jogo não tem uma campanha e é nessas horas que falha em contextualizar os acontecimentos dos filmes. Temos mapas em Sullust, por exemplo, e nada lá parece ter qualquer relação direta com os filmes clássicos, apenas referências do Universo Expandido. A expansão é gratuita pra quem já tem o jogo então eu recomendo jogar sem grandes expectativas além do visual fora de série do mapa. Não é sempre que se vêem Star Destroyers em queda livre no céu... Se você quer ter uma ideia um pouco melhor do planeta Jakku e do que está por vir na história do planeta, leia Marcas da Guerra de Chuck Wendig, o livro dá uma visão muito mais ampla do lugar e dá pistas interessantes do que pode vir nos novos filmes. Battlefront é um grande jogo mas não espere grandes referências e/ou spoilers sobre o futuro da saga nos cinemas.

Isso é tudo o que o jogo entrega sobre a Batalha de Jakku... Sem grandes
spoilers!

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Daniel Rockenbach, um estranho numa terra estranha que decidiu compartilhar suas leituras sobre ficção científica em suas mais diversas manifestações.



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2 de dezembro de 2015

A Força também está nas HQs

A Marvel foi a primeira editora a publicar as HQs de Star Wars, foi a única editora que acreditou no filme de 77 antes do lançamento e um dos únicos lugares onde os fãs acompanharam as aventuras de Luke, Leia, Han e Chewie depois do lançamento do Retorno de Jedi, em 83. Grandes autores que trabalharam nessas HQs como Howard Chaykin hoje tem os traços imortalizados com o lançamento de produtos com o traço dessas HQs, eu mesmo tenho camisetas e até um par de havaianas com a arte de Chaykin pra Star Wars. Essas HQs foram por um breve período o único Universo Expandido da saga até o lançamento da Trilogia Thrawn, de Timothy Zahn.

Nada mais justo, portanto, que o novo Universo Expandido da saga honre o legado e volte pra editora que consagrou Star Wars nos quadrinhos, a Marvel. Apesar do excelente trabalho que a Dark Horse fez nos últimos 23 anos, as HQs já mostravam sinais de desgaste apesar de boas séries como Knights of the Old Republic ou Legacy. Era esperado que, após a aquisição de Star Wars pela Disney, a franquia tivesse seus quadrinhos publicados pela Marvel já que ambas pertencem ao mesmo grupo e é esse material que chega agora no mercado nacional pela Editora Panini.

A HQ mensal Star Wars traz as aventuras de Luke e seus companheiros logo após a Batalha de Yavin. A Estrela da Morte foi destruída mas a Aliança Rebelde não venceu a guerra, apenas tirou do Império Galáctico sua arma mais terrível e com isso a possibilidade de ameaçar e controlar pelo terror os planetas da orla exterior da galáxia. Apesar de ser uma grande vitória, o Império ainda é forte e está aos poucos restabelecendo seu controle sobre a galáxia. A trama do primeiro número mostra Han Solo disfarçado como um emissário de ninguém menos que Jabba, The Hutt, num encontro com um agente imperial de alto escalão.

A negociação é parte de um engodo armado pelos rebeldes visando sabotar um dos maiores fornecedores do Império mas o desenrolar dos fatos acaba se mostrando ainda mais perigoso que nossos heróis esperavam, como sempre, nada sai como planejado... Esteticamente falando, o traço de John Cassaday traz uma série de referências visuais do Episódio IV, a maior delas nas roupas de Luke: o mesmo uniforme que ele veste no final de Uma Nova Esperança. O texto de Jason Aaron é ágil como uma HQ mensal deve ser e, no final, traz a promessa de um grande confronto pro próximo número.

A outra HQ, Star Wars: Darth Vader, traz um arco com o Lorde Sith onde ficamos sabendo que, após a destruição da Estrela da Morte na Batalha de Yavin, seu poder e autoridade dentro do Império foram reduzidos pelo próprio Palpatine. Aqui vai mais outra referência interessante: o oficial imperial Tagge, aquele que questiona a autoridade de Vader perante o Grão Moff Tarkin em Uma Nova Esperança, escapou do ataque à Estrela da Morte e agora é ele a quem Vader deve se submeter. Uma cena tensa do filme agora terá desdobramentos interessantes no novo Universo Expandido.

A trama começa intercalando o tempo presente quando Vader chega em Tatooine pra tratar com ninguém menos que Jabba e, um dia antes, a reunião com o Imperador em Corruscant onde Palpatine pune Vader pelo fracasso da destruição da Estrela da Morte. O quadrinho ainda traz Boba Fett e menções aos acontecimentos da série apresentada na outra HQ, Star Wars. O ritmo aqui é o mesmo da outra série, intenso e com um final que promete desdobramentos tensos pros próximos números. O roteiro de Kieron Gillen e a arte de Salvador Larroca não ficam devendo em nada pra qualidade da série de Aaron e Cassaday.

A Panini Brasil teve o cuidado de imprimir duas capas variantes pra cada edição sendo que uma das capas de cada HQ saiu com arte metalizada num lançamento exclusivo da Panini Comics. O próximo número de Star Wars: Vader trará a primeira parte uma minissérie com a Princesa Leia com o traço de Terry Dodson e texto de Mark Waid. As publicações trarão todos os meses os mais recentes quadrinhos da Marvel com o novo Universo Expandido de Star Wars. A tradução e a impressão estão excelentes, li o material original lançado nos EUA e garanto que o alto nível das HQs originais foi mantido pela Panini Brasil.

A HQ Star Wars com o selo Legends continua sendo publicada com o arco da HQ Star Wars lançado anos atrás pela Dark Horse. Apesar de não pertencer ao novo cânone da saga, são aventuras muito interessantes com os personagens e, assim como os clássicos do antigo Universo Expandido lançados pela Editora Aleph, merecem ser revisitados. Resta saber o que a Panini fará com o título quando o arco acabar mas eu acredito que seria interessante trazer de volta outras séries lançadas pela Dark Horse que são igualmente interessantes e agora estão sob o selo Legends. Recomendo a todos a leitura das novas HQs mensais de Star Wars e que a Força esteja com a Panini pra que ela continue o excelente trabalho!


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Daniel Rockenbach, um estranho numa terra estranha que decidiu compartilhar suas leituras sobre ficção científica em suas mais diversas manifestações.



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26 de novembro de 2015

Marcas de uma Guerra nas Estrelas

Marcas da Guerra de Chuck Wendig inicia a Jornada para O Despertar da Força com vigor. O livro traz as consequências dos eventos retratados em O Retorno de Jedi: a destruição da segunda Estrela da Morte e as mortes do Imperador e de Darth Vader. O Império caiu e a Aliança Rebelde assume agora a alcunha de Nova República e com isso o Senado Galáctico volta a se formar. A guerra em si pode ter acabado com o lado rebelde saindo vitorioso mas o que se sucede pode ser algo muito pior: a guerrilha urbana. A Nova República está consolidando sua autoridade na região central da galáxia, planeta por planeta e ainda assim continua enfrentando núcleos de resistência imperial bem como a revolta dos nativos que não se importam mais com quem está no poder e sim com as perdas que a guerra trouxe. Lidar com o rancor daqueles que não tomaram partido na guerra mas sofreram com seus efeitos e enfrentar os núcleos de resistência imperiais parecem ser os maiores problemas para a recém formada República que também sofre com a falta de equipamento e pessoal.

A nova Chanceler, Mon Mothma
Chandrila, planeta natal da recém nomeada Chanceler Mon Mohtma e lar do novo Senado Galáctico é retratado várias vezes ao longo da narrativa e mesmo estando próximo ao centro da galáxia, ainda enfrenta a insatisfação popular. Corruscant também é retratada inclusive com um núcleo de órfãos que ainda enfrenta a resistência imperial. O retrato geral é que a vitória em Endor foi apenas o desfecho das grandes batalhas mas agora cada mundo terá seus próprios problemas até que se estabeleça um novo governo. O objetivo da antiga líder rebelde, agora Chanceler, é reduzir as tropas da Aliança e manter apenas aqueles que desejarem o serviço militar, aqueles que se alistaram durante a rebelião apenas pra defender a causa ou quaisquer outros objetivos pessoais estão todos liberados para reconstruírem em paz as suas vidas. Esse gesto pode parecer nobre mas também parece que pode custar caro para a Nova República já que ainda existe muito trabalho a ser feito e, por mais que a Nova República preze pela democracia, essa não será obtida com facilidade, principalmente nos planetas da orla exterior da galáxia.

Interlúdios expandem os acontecimentos
Todo esse pano de fundo é retratado em interlúdios entre os capítulos, enriquecendo a trama principal com mais informações do que acontece em outros mundos e com outros núcleos de personagens. Não espere aqui um romance onde os protagonistas são os mesmos de sempre, Marcas da Guerra menciona apenas vagamente Luke, Leia, Han, Chewbacca e Lando e se dedica mais aos personagens secundários mas não menos importantes na guerra, aqueles que sempre tiveram relativo destaque no antigo Universo Expandido de Star Wars como Wedge Antilles ou Mon Mothma. Han e Chewie protagonizam um desses interlúdios mas mais como preparação do que está por vir no Universo Expandido que por participar da trama principal. Esse é um dos grandes méritos de Chuck Wendig, trazer uma aventura com personagens secundários mas importantes, cuja função aqui é apresentar novos personagens que desenvolverão a narrativa e colocarão o leitor a par de tudo que aconteceu dando um novo ponto de vista sobre os acontecimentos dos filmes e de tudo que está por vir. Não duvido que, nos próximos livros da Trilogia Aftermath, os protagonistas da saga galáctica apareçam em novos interlúdios ou mesmo interajam com os novos personagens mas isso é algo pro futuro.

Capitão Wedge Antilles
Marcas da Guerra começa com o Capitão Wedge Antilles investigando planetas da orla exterior a procura de bases secretas imperiais. Como o foco da Nova República está em acabar com a guerrilha contra o império nos mundo centrais visando estabilizar o novo governo, não restam muitos recursos ou pessoal pra conduzir as buscas pelo que sobrou do combalido império. Wedge, o piloto da Aliança que sobreviveu aos ataques às duas Estrelas da Morte, chega sozinho ao planeta Akiva, um dos mundos presentes nas prequels, e logo percebe uma movimentação de destróiers imperiais. Não demora muito e Wedge acaba capturado pelos imperiais e logo somos apresentados à formidável Almirante Rae Sloane, uma personagem que já apareceu no novo Universo Expandido no livro Um novo amanhecer de John Jackson Miller, na ocasião uma jovem oficial imperial. Isso é bacana já que dá os primeiros sinais das conexões do novo Universo Expandido. Rae é uma oficial obstinada, determinada a trazer a glória de outrora ao império, ela realmente acredita na causa imperial e está disposta a tudo pra conquistar seus objetivos.

Representação da Almirante Rae Sloane
O leitor que conhece a Trilogia Thrawn vai notar certas semelhanças entre os problemas enfrentados pela Almirante Sloane e o Almirante Thrawn: a escassez de bons oficiais no Império depois das muitas baixas após a destruição da segunda Estrela da Morte e a decepção com a presunção do Imperador Palpatine em concentrar todos os seus recursos em um único lugar. O objetivo de Rae na trama é reunir os últimos representantes do império no intuito de traçar uma estratégia pro futuro. O encontro acontecerá em Akiva, sede de um dos muitos fundos secretos de recursos do império e lar de Surat Nuat, um sullustiano ,líder de um dos muitos grupos criminosos, no melhor estilo dos Hutts e que, por baixo dos panos, apoiava o império. Os outros representantes do império são o Grão-Moff Valco Pandion, a General Jylia Shale, o bancário e escravagista Arsin Crassus e o antigo conselheiro do imperador, Yupe Tashu. Assim como a Nova República tem dificuldade em se estabelecer, os imperiais também tem dificuldade em se entender e cabe a Sloane mediar os ânimos e conciliar a todos.

Andróide de Batalha B1, o
modelo de dróide que Temmin
usa pra construir o
Senhor Ossudo
Após a captura de Antilles, somos apresentados à piloto da Aliança Rebelde Norra Wexley que volta ao planeta Akiva apenas pra buscar seu filho, Temmin Wexley, um jovem de 15 anos que ela acabou deixando pra trás pra se juntar aos rebeldes. A relação entre mãe e filho é um dos pontos fortes da trama e marca também um dos muitos momentos em que o leitor é confrontado com os efeitos que uma guerra causa, Temmin tem todo um rancor com a guerra e não deseja abandonar sua terra natal, ainda que por uma vida melhor com a mãe. O garoto e seu andróide, o Senhor Ossudo, são cativantes ainda que fujam do padrão Luke e R2-D2. O Senhor Ossudo é um dróide sujo, construído por Temmin a partir de dróides usados nas Guerras Clônicas pela Confederação do Comércio e que parecer ter uma única prioridade: proteger o garoto.

A narrativa então corta pra um bar em Akiva onde somos apresentados ao antigo agente de lealdade imperial Sinjir Rath Velus, um dos personagens mais interessantes da trama, particularmente, meu favorito. Seu estilo lembra um pouco Han Solo mas muito mais ambíguo, em nenhum momento temos certeza de seus objetivos mas ainda assim, queremos saber o que vai acontecer com ele. Terá ele se arrependido do passado imperial? Estaria ele protegendo apenas a própria pele? Essa ambiguidade moral o torna profundo e o fato de ser carismático como um Han Solo faz com que ele seja um dos melhores personagens da trama. Enquanto isso a reunião imperial começa e somos apresentados à caçadora de recompensas Jas Emari, uma zabrak em busca da recompensa dada pela Nova República por membros da reunião imperial em andamento. Jas é uma personagem fria e que visa cumprir os contratos no melhor estilo Mandaloriano de se cumprir um contrato, antes pro Império, agora pra Nova República.

Norra, Sinjir e Jas, todos estiveram presentes na batalha de Endor em diferentes situações: Norra pilotando uma das Y-Wing que entraram na segunda Estrela da Morte, Jas em busca da recompensa pela rebelde Leia e Sinjir tentando salvar sua própria pele em meio a todo conflito. Essa relação entre personagens no passado ajuda a reforçar o relacionamento forjado pelo improvável grupo formado por eles e a dupla, Temmin e o Senhor Ossudo. A melhor comparação que o leitor pode ter em mente é com o grupo de rejeitados de outro filme da Disney, Os Guardiões da Galáxia. Ao contrário dos heróis Luke, Leia, Han e Chewie, aqui temos uma mãe e um filho que não se entendem, um desertor e uma caçadora de recompensas e é dessa reunião improvável que temos uma grande aventura.

Marcas da Guerra é um excelente romance no novo Universo Expandido de Star Wars e que traz muito que está por vir não apenas nos próximos volumes em 2016 e 2017 mas também como em todo novo cânone. A narrativa é bem amarrada e traz grandes referências ao universo de Stars Wars, tantas que recomendo o leitor acompanhar a leitura junto do Google ou mesmo da Wookieepedia, a Wiki de Star Wars. São várias as raças, planetas e personagens mencionados no livro e todos fazem referência a algo que já apareceu nos filmes ou no novo Universo Expandido da saga. Existem até referências à extinta Lucas Arts quando o barman da Cantina Alcazar oferece Grog pra Sinjir, a bebida tomada pelos piratas da série de jogos Monkey Island. Marcas da Guerra inicia a Jornada para O Despertar da Força com todos os méritos, pode não ter o impacto que a Trilogia Thrawn teve em seu tempo mas também não se podem comparar os contextos, a Trilogia de Timothy Zahn era a única sequência que os fãs tinham pra saga e agora, a Trilogia Aftermath faz parte de todo um projeto multimídia que levará aos novos filmes da saga, algo que Marcas da Guerra cumpre com todo o louvor. Parabéns e obrigado à Editora Aleph que uma vez mais contempla os fãs com mais uma bela edição de Star Wars!


---------------------------------------- P O L Ê M I C A S ----------------------------------------



Marcas da Guerra de Chuck Wendig é um romance feito por encomenda como muitos outros que abordam universos expandidos de séries, filmes e games. Esses romances são concebidos dentro de fórmulas que muitas vezes vem atreladas a franquias e demandas puramente comerciais. Fosse Chuck Wendig ou William Gibson o autor e o padrão a ser seguido e o tom da trama seriam os mesmos, independente da capacidade do autor. Antes de ler Marcas da Guerra me deparei com uma enxurrada de críticas ao tom do romance na internet, a maioria sem um sentido comum, alguns se queixando do texto, outros do desenvolvimento dos personagens e alguns até criticando a forma com que o autor usa as raças alienígenas, locais e até os idiomas, supostamente fora de contexto.

Não sou uma enciclopédia de Star Wars portanto fiz questão de acompanhar a Wookieepedia durante toda a leitura pra ter certeza que o livro era fiel a todas as referências apresentadas e não notei em momento algum falhas com o cânone da saga seja pelas localidades, descrição das raças apresentadas, idiomas... não vi furo em lugar algum. Além disso, não vi problema algum no desenvolvimento do texto ou dos personagens, pelo contrário, fiquei encantado com o grupo inusitado formado pelos protagonistas apresentados.

Qual foi meu espanto portanto ao me dar conta que todos esses ataques e críticas sem fundamentação tinham na grande maioria sido feitos em virtude da cor da pele de determinado personagem ou mesmo da sexualidade de outro. Isso é frustrante já que a ficção científica como literatura de vanguarda, não pode tolerar esse tipo de pensamento retrógrado, nenhum tipo de preconceito condiz com os ideais expostos pela literatura de ficção. Exemplos onde a literatura de ficção científica é preconceituosa existem, vide O Presidente Negro, único livro de ficção científica de Monteiro Lobato e um livro raramente lembrado entre os admiradores da boa ficção. Ele e outros com esse tipo de abordagem preconceituosa são mais lembrados como maus exemplos que por qualquer qualidade presente em seu texto.

Esse tipo de crítica preconceituosa, portanto, é dispensável e não deve sequer ser considerada. Sou branco e heterossexual e em nenhum momento me ofendi com o livro. Digo mais, não fosse o personagem em dado momento abordar sua sexualidade e eu nem teria notado diferença entre o antes e o depois da revelação. Isso não é relevante, continuo encantado com o personagem da mesma forma que antes a ponto de considerar meu personagem favorito no livro. Deixo aqui as seguintes perguntas aos fãs preconceituosos de Star Wars: por que implicar com a pele negra da Almirante Sloane se a pele do Almirante Thrawn na aclamada trilogia de Timothy Zahn era azul? Por que implicar com a sexualidade de personagens humanos se várias das raças apresentadas em Star Wars não tem sexo definido?

Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o assunto, recomendo ler a opinião do próprio Chuck Wendig sobre o eventual "boicote" que esse tipo de fã prometeu fazer ao Despertar da Força:

http://terribleminds.com/ramble/2015/10/19/about-that-dumb-star-wars-boycott/

Sem mais, Marcas da Guerra é um excelente livro, leiam sem medo!

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Daniel Rockenbach, um estranho numa terra estranha que decidiu compartilhar suas leituras sobre ficção científica em suas mais diversas manifestações.



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18 de novembro de 2015

Tempestade no Ciberespaço

HAL 9000
A representação da informática na ficção científica vem se desenvolvendo das mais variadas formas. Inteligências artificiais avançadas como o HAL 9000 de 2001: Uma Odisseia no Espaço de Arthur C. Clarke ainda estão distantes da nossa realidade, apesar de serem uma possibilidade pro futuro. Representações literais do mundo virtual como o mundo de Tron demonstram a forma ingênua que interpretamos a revolução da informática no começo da década de 80: programas agindo tal como pessoas em um mundo paralelo ao nosso mas cheio de neon e construções fantásticas. Tron, apesar de ser um filme e tanto, não é nem de perto algo próximo do que se tem hoje na computação. Do clássico Neuromancer, de William Gibson, à Matrix e em praticamente todo Cyberpunk temos uma computação sofisticada onde a informação é uma moeda de troca na maioria na maioria das vezes e que geralmente traz personagens literalmente se conectando ao mundo virtual. Por mais que a realidade virtual esteja avançada, seus estágios estão ainda muito distantes do que se vê no Cyberpunk em geral. Cyberstorm, de Matthew Mather, revigora a representação da computação dentro da ficção científica e traz ideias interessantes e muito mais próximas a nossa realidade.

Ataques virtuais à sistemas de segurança de grandes empresas e do governo já são uma realidade há muito tempo. A queda recente dos servidores da Sony, os ataques à Microsoft e à Amazon e outros exemplos recentes mostram o quanto as grandes empresas estão a mercê de grupos como o Anonymous. A Nasa e a CIA são os alvos governamentais mais visados de hackers, isso sem mencionar outros tantos grupos interessados em ataques desse tipo, de governos rivais a grupos terroristas: interessados em derrubar ou invadir sistemas de defesa surgem todos os dias aos montes na internet. Tudo que estiver conectado: seu celular, seu PC, absolutamente tudo que estiver online já está passível de sofrer uma invasão, basta a vontade de um usuário e um conhecimento operacional mínimo e todas essas brechas podem ser exploradas.


Em Cyberstorm o autor discute a real possibilidade de ciberataques combinados a vários sistemas de uma cidade: desde o controle de logística de produção e distribuição de suprimentos a sistemas de controle de energia, água e comunicação. Ciberataques coordenados a uma cidade podem facilmente comprometer a rotina de seus moradores. Todos os sistemas estão online, é uma questão de se cortar o fornecimento de água e energia através da própria internet, sabotar a distribuição de suprimentos derrubando o sistema de logística das empresas que fornecem e por fim cortar a comunicação interna e externa da cidade. Uma vez cortados os serviços essenciais e comprometidos os sistemas de distribuição, você tem um cenário desolador onde o tecido social pouco a pouco passa a perder a importância e o caos e a anarquia começam a se difundir.


Carta do autor aos blogueiros
O livro começa apresentando o protagonista, Mike, sua esposa Lauren e seus vizinhos: Chuck e Susie, Richard e Sarah, Pam e Rory, o casal russo Irena e Aleksandr e o porteiro do prédio, Tony. Eles moram na ilha de Manhattan e terão seus destinos diretamente afetados pela crise criada pelos ataques uma vez que, quem começou isso tudo, pensou inclusive no fato de que Nova York estaria sendo assolada pela neve nessa época do ano, mais um fator complicador dentro desse cenário dos ataques cibernéticos. Mike é um jovem empreendedor e tem um vago conhecimento computacional já que seu foco são as redes sociais. Ele e o vizinho paranoico Chuck desenvolvem o começo da trama quando discutem as possibilidades de um conflito armado com outros países, no caso a China que na trama já está em um clima tenso com os Estados Unidos. Mike sugere que Chuck repense suas paranoias e considere a possibilidade de ciberataques, algo mais eficiente e limpo que as antigas invasões territoriais e que já foi praticado em outras situações no passado.

Não demora muito na trama e Chuck conclui que antigamente, a única forma de uma nação afetar outra era violando o espaço físico com uma invasão e o primeiro momento que esse paradigma foi quebrado foi quando o espaço exterior entrou em cena com satélites e estações orbitando a Terra sem se limitar por quaisquer fronteiras. O segundo momento em que o paradigma territorial foi derrubado foi com o surgimento do ciberespaço onde as limitações territoriais e físicas não importam, as forças se equilibram uma vez que todos estamos online. É em cima desse raciocínio que pesa a genialidade das ideias do autor no texto. Tendo em vista os recentes ataques terroristas em Paris e nos EUA e vendo a forma como grupos como o ISIS cada vez mais trabalham com a internet, os ciberataques são uma realidade muito mais plausível que ataques físicos à soberania de um país. Primeiro porque no mundo virtual, as forças são mais equilibradas, segundo porque a possibilidade de se comprometer uma população através de ciberataques acaba atingindo um número maior de vítimas que simplesmente um ataque convencional.

A trama se desenvolve em cima das consequências dos ataques e acompanha o núcleo em torno do protagonista Mike e seus vizinhos. O drama é apresentado de forma convincente e os personagens se desenvolvem dentro da situação de crise de uma maneira factível e interessante. Irena e Aleksandr estão lá pra sempre lembrar o leitor e o protagonista da época em que a informática ainda era um sonho distante: eles sobreviveram ao cerco dos nazistas na Rússia e viram o mesmo tipo de caos tomar conta das cidades russas numa época que apenas o território contava, o casal russo traz a experiência com a falta de recursos, a fome e a natureza inclemente do clima. Outra adição interessante ao grupo é o jovem Damon que traz um pouco de conhecimento computacional que acaba ajudando o grupo de sobreviventes. A forma com que os capítulos são apresentados na forma de um diário é convincente apesar de em alguns momentos ser anticlimática. Cyberstorm é mais recomendado pela ideia dos ciberataques no futuro que pelo desenvolvimento da narrativa mas isso por si já basta como motivo pra indicar o livro. Se tivesse que indicar uma obra que traz de uma forma convincente as possibilidades do futuro próximo, com certeza indicaria Cyberstorm.


----------------------------------A T E N Ç Ã O : Spoilers adiante!----------------------------------

O grupo Anonymous costuma usar a máscara de Guy Fawkes em suas apresentações públicas

O maior problema em Cyberstorm é no fechamento da história. Aqui parece que o autor começou a perder a mão apesar da ideia genial que originou o livro e decidiu acabar a trama de uma forma um tanto quanto vaga e sem muito desenvolvimento. Não discordo dos fatos apresentados no encerramento, apenas da forma com que eles são apresentados e isso empobrece a experiência mas não compromete já que o grande mérito do livro é trazer à tona a possibilidade real dos ataques virtuais no futuro. Isso já acontece com empresas e agências governamentais mas nunca a ponto de sabotar toda uma cidade e é algo que deve mesmo ser levado muito a sério. O problema em Cyberstorm é apresentar os efeitos de um ataque de uma maneira convincente e profunda pra encerrar a narrativa com uma série de coincidências improváveis.

Seria mais fácil dizer que, uma vez que os hackivistas de outros grupos percebessem um ataque, todos quisessem aproveitar a possibilidade de comprometer ainda mais os sistemas, colaborando com os ataques direta ou indiretamente aproveitando a onda do ataque inicial. O autor não deixa isso claro e faz tudo soar com uma série de coincidências improváveis mas que aconteceram em virtude do primeiro ataque. Não sou daqueles que torcia pra China ou qualquer outro inimigo dos Estados Unidos ser o grande vilão da trama, eu até acho mais interessante grupos de hackivistas sem fronteiras serem os culpados, até mesmo a solução que o autor dá pra explicar a crise me satisfaria mais mas contanto que isso fosse apresentado de forma convincente. Tudo bem que o leitor acompanha a narrativa sobre os olhos do protagonista, um leigo no assunto, mas mesmo assim, Matthew poderia muito bem inserir um capítulo com o trecho de um jornal ou um relatório militar explicando em detalhes os motivos da crise, assim o leitor não ficaria desguarnecido de maiores explicações, entregue a especulações e incerto sobre o que levou a trama a se desenvolver.

Excetuando todos esses fatores, Cyberstorm foi uma excelente surpresa num ano em que novos autores como Mathew Mather e Andy Weir (Perdido em Marte) me tomaram a atenção de assalto, lembrando que a boa ficção científica ainda está viva e que não dependemos apenas dos clássicos de Clarke e Asimov pra ter uma boa leitura no gênero. Apesar dos defeitos, recomendo Cyberstorm a todos!


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11 de novembro de 2015

Como nascem as lendas

Richard Matheson é um autor e tanto. Matheson roteirizou alguns dos melhores episódios de Além da Imaginação (Twilight Zone, 1959): clássicos como Nightmare at 20000 feet, Third from the Sun e Button, Button que, aliás, virou filme lançado no Brasil como A Caixa. Ele também escreveu o livro e o roteiro dos filmes O Incrível Homem que Encolheu e Em algum lugar do Passado entre outros tantos trabalhos adaptados pro Cinema e TV mas o mais notável entre seus escritos é o clássico Eu sou a Lenda. O livro já foi adaptado 4 vezes pro Cinema sendo a última com Will Smith como o protagonista Robert Neville, papel que já foi de grandes atores como Vincent Price e Charlton Heston.

A edição da Editora Aleph
Eu sou a Lenda é um livro que não se limita ao Terror tradicional ou à Ficção Científica clássica. O livro traz o melhor de ambos os gêneros ao descrever o mundo pós-apocalíptico em que vive Robert Neville, o último sobrevivente de uma civilização que sucumbiu a uma praga que transformava pessoas normais em vampiros e trazia os mortos de volta, igualmente sedentos por sangue. Os vampiros da trama se comportam como o vampiro tradicionalmente conhecido: aversão ao sol, alho, temem a cruz, fogem de espelhos e não atravessam água corrente. A narrativa começa 6 meses após Neville ter encontrado a última pessoa saudável e segue descrevendo a agonia e o isolamento dele em uma rotina que alterna momentos de bebedeira e depressão. Sobreviver num mundo devastado pela praga faz com que ele se fortifique em sua casa já que os vampiros vem incomodar as noites de Neville enquanto de dia ele sai em busca de recursos enquanto caça as criaturas em seu sono.

Vincent Price, Charlton Heston e Will Smith como
Robert Neville
O fato dele estar vivo e ter visto sua esposa e sua filha sucumbirem à praga faz com que ele entre num ciclo de recriminação e culpa que só são aplacados quando Neville decide tomar uma atitude e começa a pesquisar sobre a condição vampírica. Robert Neville começa a pensar a condição da praga até os mínimos detalhes, desde a aversão por alho ao medo da cruz e de espelhos ou mesmo o porquê da eficiência das estacas na hora de eliminar os infectados. Robert se nega em vários momentos a acreditar na possibilidade sobrenatural dos vampiros criados pela infecção e começa a esmiuçar as possibilidades estudando cada vez mais, ainda que de forma amadora já que ele mesmo não é um cientista.


A trama se desenvolve em 4 momentos distintos, entre 1976 e 1979 e mostra as diferentes fases da vida de Neville durante o período. A depressão inicial, a adaptação e aceitação da solidão e o seu destino nesse novo mundo. Em todo momento o leitor acompanha o protagonista em suas frustrações e aspirações e, o mais interessante, é que em nenhum momento o autor poupa o leitor. Seja quando Neville começa a criar expectativas com o estudo da condição vampírica ou mesmo quando ele ganha a companhia do cachorro pra logo em seguida ter todas as suas esperanças reduzidas a nada. Stephen King define bem essa sensação logo na introdução da nova edição brasileira lançada pela Editora Aleph quando diz que o autor não poupa o leitor em momento algum. Quando você pensa que Neville conseguiu uma vitória ou mesmo já passou pelo pior, Matheson vem e tira leitor e narrador da zona de conforto criando uma reviravolta inesperada. É assim até a última página do livro, uma narrativa tensa, que prende o leitor mantendo-o constantemente alerta. Aliás, vale notar que existe um motivo pro livro ter esse nome e, mesmo esse motivo, faz parte de mais um choque que o autor preparou pro leitor em Eu sou a Lenda.

A edição da Editora Aleph traz o mesmo capricho de outras edições, com o devido respeito à obra original que já foi lançada no Brasil como A última esperança sobre a Terra pela Francisco Alves ou teve capas relacionadas ao filme de Will Smith que pouco tem a ver com a trama original do livro. O acabamento em capa dura e as artes embelezam ainda mais a edição que ainda conta com dois extras: uma análise acadêmica da obra por Mathias Clasen e uma entrevista com o próprio Richard Matheson em 2007 onde ele fala sobre o livro e suas adaptações pro cinema.

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4 de novembro de 2015

Uma edição formidável para uma criatura excepcional

Alien de Alan Dean Foster, lançado recentemente pela Editora Aleph, adapta o filme de Ridley Scott à literatura de uma forma profunda e interessante. Geralmente esse tipo de adaptação acaba sendo uma transcrição do que se vê no filme, tanto nas descrições das cenas como nos diálogos. O próprio autor é conhecido pela adaptação de vários outros filmes para livros e nem todos são tão interessantes quanto deveriam apesar de bem escritos. Alan é conhecido também como o ghost writer por trás de George Lucas na novelização de Star Wars, o filme original da saga, romance que faz parte do livro Star Wars - A Trilogia, lançado pela DarkSide Books.

Criatura e livro.
Alien é uma admirável exceção já que o texto aprofunda muito a experiência do filme não apenas intensificando as relações e impressões dos personagens mas também enriquecendo o mundo onde a trama decorre. A máquina dos sonhos, descrita enquanto os personagens estão em sono criogênico, é um dos melhores exemplos. É algo que não aparece no filme e sugere muito mais sobre o perfil dos personagens antes deles chegarem em LV-426. A máquina é descrita como um dispositivo capaz de capturar os sonhos da pessoa em estase e gravá-los tal como se grava um vídeo. Existe toda uma indústria em cima dos sonhos, tendo inclusive sonhadores profissionais! Se isso estava no roteiro original do filme eu nunca vi, não li o roteiro original de Dan O' Bannon, apenas a versão revisada de Walter Hill que pode ou não ter cortado a máquina do roteiro original. De uma forma ou de outra, se essa foi uma ideia original do Alan Dean Foster, ele merece todos os elogios.

A criatura recebe uma descrição muito criativa do ponto de vista literário. Como simular o pânico da tripulação sem entregar detalhes que apenas um filme pode proporcionar através da imagem e do som? É nesse ponto o grande diferencial da novelização: em um dado momento, Dallas, Ripley e os demais chegam a discutir se a criatura não é capaz de ficar invisível já que é praticamente impossível eles notarem os ataques do xenomorfo. Você pode saber o que vai acontecer por ter visto o filme, não importa, o texto consegue manter um clima de tensão constante. A descrição da Nostromo, de LV-426 e do Alien em si são os pontos altos e que realçam o clima de tensão e suspense da trama.


Nostromo rumo ao desconhecido em LV-426, uma das luas de Calpamos no sistema Zeta Reticuli.

A criatura na visão de H. R. Giger.
O Alien em si é uma das criaturas mais fantásticas da ficção científica. No meu ponto de vista, apesar de ser uma protagonista forte, Ripley representa mais a humanidade que uma heroína emblemática, é a criatura quem acaba roubando a cena. Digo isso porque acho formidável a forma como livro e filme descrevem o contato da tripulação da Nostromo com a nave alienígena em LV-426: puro medo. Não temos como saber que tipo de vida encontraremos no espaço. Quais as possibilidades? Infinitas se pensarmos cientificamente. O Alien nada mais é que um parasita que sobrevive às custas de um infeliz hospedeiro. O fato de a criatura ser anatomicamente assustadora e nos lembrar ossos e uma caveira ao mesmo tempo que sugere um formato fálico na cabeça pode ser algo que H. R. Giger tenha criado a partir de uma inspiração artística mas todo o ciclo da criatura e sua biologia são plausíveis. Excetuado certos exageros como sobreviver no vácuo ou ter uma "pele" praticamente indestrutível, o xenomorfo é uma criatura não muito diferente de outros parasitas encontrados na natureza e isso é o que torna tudo mais assustador. Mas isso é tema para outro post.

A nova edição da Editora Aleph traz de volta ao Brasil a novelização e ainda traz uma entrevista com Sigourney Weaver e Ridley Scott como extras. O livro ainda conta com um acabamento de primeira, desde capa e contra-capa, orelhas e toda a apresentação do livro. É uma edição obrigatória tanto aos fãs dos filmes como aos leitores da boa ficção científica.

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